• Fernanda Oliveira

Escoliose - o que você precisa saber

Atualizado: 10 de Ago de 2020


A escoliose tem uma prevalência de mais ou menos 2% , ou seja no Brasil tem em média 4 milhões de pessoas com Escoliose.

Mas você sabe o que é escoliose?

Você pode até saber que tem relação com a coluna vertebral.

Mas se quer saber um pouco mais leia o texto abaixo.

Neste texto você irá saber

  • O que é escoliose;

  • Quais são os tipos de escoliose;

  • Como identificar visualmente a escoliose;

  • Quais são as causas;

  • Quais os tratamentos para escoliose;

  • Quais as consequências de não tratar;

  • 6 mitos sobre escoliose.

O que é escoliose

A coluna vertebral não é reta. Possui curvas naturais, no entanto, vista de frente aparenta ser reta.

Escoliose não é uma doença.

É uma deformidade estrutural da coluna vertebral que ocorre nos três planos do espaço, ou seja, a coluna se torce para os lados, para frente e para trás e em volta do seu próprio eixo.

Essa torção é medida em graus.

A medida do grau determina a gravidade da escoliose e a forma de ser tratada.


A escoliose de acordo com a localização pode ser Cervical, Cervico torácica, Toracica, Toracolombar ou Lombar.



Escolioses muito graves, seja em crianças, adolescentes ou adultos, podem afetar órgãos, comprimindo pulmões, coração, fígado ou rins, além de dores intensas, tendo repercussões negativas na saúde.

Nem todo desvio é escoliose, existem outros desvios da coluna, que podem estar ou não associados a escoliose:

  • Lordose cervical - aumento da curva do pescoço;

  • Hipercifose torácica - aumento da curva das costas;

  • Hiperlordose lombar – aumento da curvatura da parte baixa da coluna.

Ter uma postura ruim não significa que você tem escoliose.

Quais são os tipos de escoliose

A escoliose pode ser classificada de acordo com a causa:


Idiopática: ocorre durante a fase de crescimento:

  • 6 meses a 2 anos - pode ocorrer nessa fase, mas não é comum.

  • 5 a 8 anos - 1° estirão do crescimento, não é muito comum ocorrer nesta fase.

  • 11 a 14 anos- estirão do crescimento, onde ocorre com mais frequência.

  • Meninas de 11 a 14 anos que já tiveram a primeira menstruação (menarca) diminui o risco da curva piorar, pelo fato da menarca ser o fim do crescimento estatural.

Durante o período de crescimento é a fase onde há maior risco da curva piorar principalmente nas meninas e nas idades de 13 a 14 anos.

Neuromuscular: relacionada a uma doença no sistema neuromuscular onde a lesão neurológica afeta a musculatura, ocorrendo várias paralisias em diversos graus. Como por exemplo: Paralisia cerebral, lesão medular, poliomielite, dentre outros.

Congênita: é quando há um desenvolvimento anormal de uma ou mais vértebras da coluna da criança. A criança nasce com malformações, que ocorrem dentro do útero.

Adulta: ocorre curvas anormais em homens e mulheres acima de 18 anos que tenham completado o crescimento. Iniciou na infância ou adolescência e piorou na fase adulta. Pode iniciar em adultos após 40 anos devido ao processo de envelhecimento das vértebras.


As escolioses mais comuns são as relacionadas com o crescimento e a adulta.

Crianças e Adolescentes dificilmente relatam dor, somente em casos muito graves. No entanto, é importante que se inicie um trabalho preventivo o mais precoce possível.

Há classificação também de acordo com o tipo de curva que podem ser:

  • Curva simples para direita ou esquerda- Escoliose em “C”

  • Curva dupla, no qual ocorre duas curvas - Escoliose em “S”

A escoliose pode ser classificada de acordo com a gravidade (grau):

  • Leve- 5 a 15°

  • Leve para moderada- 16 a 24°

  • Moderada- 25 a 34°

  • Moderada para severa- 35 a 44°

  • Severa- 45 a 59°

  • Muito severa- 60° ou mais



Como identificar a escoliose

Existem algumas formas de identificar visualmente a escoliose, que você mesmo pode fazer.

Uma boa forma de avaliar a curvatura da coluna é através de fotos.

A pessoa que suspeita ter escoliose deve pedir a alguém que tire fotos da seguinte forma:

  • Sem camisa, de top ou sutiã, posicionar-se próximo a uma parede;

  • Tirar fotos em pé, de frente, de lado e de costas. Manter o corpo relaxado, o mais natural possível.

Observar nas fotos, essas 5 posições:

  • Na foto de lado, observar a posição da cabeça. A cabeça deve estar alinhada com as costas e não projetada para frente;

  • Nas fotos de costas e de frente, é fácil perceber se um ombro está mais alto do que o outro;

  • Na foto de costas pode ser possível perceber que as escápulas (ossos que ficam nas costas a direita e esquerda) estão assimétricas, uma mais alta ou mais levantada que a outra;

  • Um quadril mais alto do que o outro pode ser observado nas fotos de frente e de costas;

  • Na foto de costas, é possível observar a linha da coluna se curvando para um dos lados.



Se você observou algumas dessas posições, é importante fazer uma avaliação postural fisioterapêutica para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da escoliose.

Causas da Escoliose


A escoliose não tem uma causa conhecida. É devido há diversos fatores como:


  • Defeitos dos corpos vertebrais;

  • Disfunções Neurológicas;

  • Disfunções Musculares;

  • Traumáticas: Intervenções cirúrgicas, fraturas;

  • Paralitica;

  • Congênita;

  • Doenças Sistêmicas;

  • Genética;

  • Idiopática - representa a maior causa em torno de 75%. São as causas desconhecidas.


As causas podem ser diferentes em crianças/adolescentes ou adultos.

Causas em crianças/ adolescentes:

A maior causa de escoliose nessa fase é o estirão do crescimento, que tem maior chance de acontecer a partir dos dez anos de idade.

Ocorre um crescimento ósseo que pode ser muito rápido. Alguns adolescentes queixam de “dores do crescimento”, que são sensações incômodas de tensões musculares, quando os músculos ficam rígidos, “duros”.

Quando há um desequilíbrio dos músculos da coluna, principalmente dos responsáveis pelo equilíbrio, ocorre uma piora das curvas nos períodos de crescimento.

Durante adolescência o risco de uma curva mais acentuada aumenta, pois nessa fase o ritmo de crescimento do corpo é mais rápido.

Alguns fatores que favorecem a escoliose:

  • Idade: Escoliose inicia partir dos 10 anos

  • Sexo: Embora ambos os sexos possam ser afetados, as meninas possuem um risco muito maior de desenvolver curvaturas anormais na coluna.

  • Histórico familiar: A escoliose é mais comum entre membros de uma mesma família que possua antecedentes da deformidade.

  • Frouxidão de pele e articular: (como por exemplo hiperextensão- perna ou braços bastante alongados, além do normal)

  • Estirão do crescimento: No período das férias o adolescente pode aumentar bastante a altura num período de 1 mês. Nas férias ocorre também de os adolescentes dormirem mais e durante o sono é liberado o hormônio do crescimento e assim tendendo a crescer mais.

Causas em adultos:

Nos adultos, a escoliose que se iniciou na infância ou adolescência com um grau menor, pode se acentuar devido a diversos fatores, entre os quais:

  • Fraturas na coluna;

  • Desequilíbrios musculares;

  • Encurtamentos musculares;

  • Escoliose não tratada na infância/adolescência;

  • Processo de envelhecimento.

Depois dos 40 anos, a escoliose não instalada na infância pode se iniciar por processo degenerativo ou envelhecimento das vértebras, sendo 10% dos casos.

Tratamentos para escoliose

Tratamento em crianças e adolescentes

Crianças e adolescentes dificilmente sentem dores, somente em casos mais graves.

O que ocorre nessa fase é uma coluna curva, desviada para um dos lados, um ombro mais alto do que o outro.

A má postura geralmente é notada nesta fase pelos pais e pelo próprio adolescente.

É importante que a escoliose seja tradada o mais precoce possível, para que não se agrave e repercuta negativamente na vida da criança/ adolescente.

A cirurgia só é indicada em casos mais graves, acima de 50° de curva.

O uso de coletes pode ser indicado em casos de graus mais acentuados de 25 a 40° e quando há uma progressão acelerada na curvatura.

No entanto, não substitui o tratamento fisioterapêutico.

O RPG (Reeducação Postural Global) trabalha a consciência corporal que é essencial para que a criança/ adolescente possa realizar os movimentos com o menor gasto de energia e desviar o menos possível para um dos lados.

No entanto outras abordagens de métodos fisioterapêuticos devem ser utilizadas em associação com o RPG.


Tratamento em adultos

Episódios de dor são mais comuns em adultos, ainda que os casos sejam menos graves.

A escoliose se inicia na infância ou adolescência podendo se agravar na idade adulta ou iniciar a partir dos 40 anos.

É muito rara a indicação de cirurgia para adultos.

O uso de coletes só é indicado na fase de crescimento, não tendo efeito em adultos.

O tratamento fisioterapêutico é indicado para alivio das dores e tensões musculares, desequilíbrios e correção postural.


É necessário que se realize exercícios específicos para escoliose juntamente com outros métodos, como liberação miofascial, RPG (Reeducação Postural Global), um complementando o outro, não isoladamente.


Cada paciente é tratado de forma individual de acordo com suas necessidades.


A consciência corporal propicia uma melhor eficiência na execução de atividades físicas e esportivas, bem como atividades do dia a dia.

Permanecer sentado ou em pé por longos períodos, dirigir ou trabalhos domésticos são executados de forma melhor quando é trabalhada a consciência corporal.


O tratamento é um processo que envolve um compromisso do paciente, quer seja na regularidade de frequência as sessões ou seguindo as orientações.

Para manutenção dos resultados, é importante a realização de atividade física adequada, que trabalhe os músculos certos e de maneira correta.


Sobre o RPG


Quais as consequências de não tratar?

Alguns jovens podem não se incomodar com a parte estética da escoliose, “assumindo a sua coluna torta”.

No entanto, a estética é o menor de seus problemas.

Como já foi dito, crianças e adolescentes podem não sentir dores e nenhum outro tipo de incomodo, mas a escoliose não desaparece com o tempo e na maioria dos casos se agrava, devido a diversos fatores.

Na idade adulta, as dores podem surgir e causar uma limitação de movimentos, que geram encurtamentos que geram mais limitação e mais dores, num círculo vicioso.


Depois de já instalada há alguns fatores que fazem a curva piorar:


  • Efeito da gravidade (já que os músculos atuam contra a gravidade, a gravidade pode favorecer ao aumento da curva).

  • Ação muscular (há músculos que se estiverem encurtados e/ ou fracos mantem a escoliose, não criaram a escoliose, mas podem contribuir para a piora).

  • Ao andar (durante o caminhar pode ocorrer desequilíbrios, seja para um lado ou para outro favorecendo o aumento da curva).

  • Crescimento da estatura (os ossos que crescem muito rápidos favorecem a torção das vertebras e assim causando desvios da coluna).

  • Disfunções do disco intervertebral (se houver alguma disfunção do disco pode favorecer a piora da curva).


É importante realizar um tratamento fisioterapêutico para que as curvas não se acentuem causando um desalinhamento significativo na coluna, aparência alterada, baixa autoestima e dores.

6 Mitos sobre escoliose

  • Carregar bolsa ou mochila pesada causa escoliose - vários fatores podem causar a escoliose, somente uso de mochilas e bolsas pesadas não é um fator, mas pode ajudar a agravar o caso.

  • Uso de colete substitui tratamento fisioterapêutico - Uso do colete é recomendado acima de 25 a 40 graus de curva e em crianças/adolescentes que ainda estão na fase de crescimento e tiveram uma piora progressiva de mais de 5 graus. Mesmo com o uso do colete é necessário um tratamento postural. Aos poucos, a medida que a curva estabilizou diminuise o tempo do uso do colete, até não precisar usar mais. É importante a continuidade do tratamento.

  • Toda escoliose precisa de cirurgia - Cirurgias são indicadas somente em curvas acima de 50°, quando a curva piora constantemente.

  • Uso do celular e do computador por tempo prolongado causa escoliose - Com certeza permanecer muito tempo usando o celular ou o computador não causam a escoliose. No entanto quando se tem um desvio a permanência em uma posição não favorável pode agravar o quadro.

  • Crise de escoliose – Não existe crise de escoliose, já que é um desvio e não uma doença. Episódios de dor ocorrem devido a fraqueza, encurtamento ou tensão musculares, que aliados ao desvio causam pressão sobre as vértebras.

  • Atividade física substitui tratamento fisioterapêutico - atividades físicas bem orientadas como natação, musculação, etc são recomendadas. No entanto são atividades simétricas, quando se trabalha igualmente os dois lados do corpo, por isso não substituem o tratamento fisioterapêutico. Os exercícios para quem tem escoliose são bem específicos e devem ser orientados de acordo com cada caso.


Conclusão

  • A escoliose geralmente se inicia durante a fase de crescimento, e não desaparece sozinha, exceto em alguns casos, em crianças até 3 anos de idade.

  • Hábitos de vida como ficar sentado com postura incorreta, carregar uma mochila pesada, ficar com a cabeça curvada quando mexe no celular não causam escoliose, mas podem agravar.

  • É importante realizar um tratamento com Fisioterapeuta especializado em coluna para não agravar e melhorar a postura.

  • O tratamento deve ter continuidade, seguindo as orientações fisioterápicas. Depois do tratamento realizado é importante fazer uma reavaliação a cada 6 meses.

  • Praticar atividade física é importante para trabalhar alongamento, força muscular e consciência corporal.

  • É importante que a atividade física seja direcionada adequadamente para a escoliose.

  • Se você percebeu alguma alteração, marque uma consulta com fisioterapeuta especializado em coluna.



Fernanda Oliveira

Fisioterapeuta em Belo Horizonte

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